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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Onda

Vem e vai...
Vai e vem...
Essa lembrança na cabeça!
Essa saudade no corpo!
Essa sensação de fogo!

E vem e vai...
Vai e vem...
A espera em te ver!
A ansiedade em botar meu olhos novamente em você!
A vontade de ter na boca e deixar molhar até esquecer!

E vai e vem...
Vem e vai...
O desejo louco recolhido!
O caminho torto e retorcido!
O consumo não consumado mas estendido!

E vem e vai...
E vai e vem...
Sua boca na minha colada!
Sua Língua na minha molhada!
Sua pele na minha suada!

E vai e vem...
vem e vai...
Essa tara que tira o sono!
Essa fome que me come!
Esse tempo que me consome.
Desse mar que não deságua em mim...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

21 de Janeiro; Texto para uma despedida longa. Parte III (2003)

Era um misto de prazer e dor. Violência. Que se foda o carinho. Tinha dor. Que se foda a poesia. À merda com todas aquelas coisas bonitinhas que um dia sonhei em lhe dizer. Coisinhas fúteis, piegas e babacas. Coisinhas que você deve ter cansado de ouvir das menininhas boçais desse mundinho medíocre que você bem conhece. Coisinhas de folhetins baratos que nada tem a ver com essa história de Marques de Sade que nos propomos viver.  Por inferno a porra da esperança de que um dia você venha a entender as metáforas, os textos, as cambalhotas. Ou que venha, um dia, ter a capacidade de, pelo menos, responder à altura as minhas belas palavras desperdiçadas em textos e cartas que já lhe enviei. E que, sinceramente penso, você nunca as realmente compreendeu. Poesia, meu caro, poesia. Mas afinal, era para quilo que fomos ali, não era? Para o nosso banquete de carne barata. Para a nossa obrigação. Então agora eu de quatro, “vaca que sou”. Meio prostituta, meio princesa, meio menina, meio mulher, meio sozinha. Nada inteira. Só meia. E meio gostando daquilo. E meio odiando aquilo tudo. Olhava para os vários espelhos, os enormes espelhos, os gigantescos espelhos e gostava. Era um misto de prazer e dor. Nada a ver com a minha realidade tão pudica e romântica. Sabe que tenho o sonho do amor? É, daqueles de casar de véu e grinalda, flores de laranjeira, família grande com crianças no quintal, almoços de domingo, mãos dadas, felizes para sempre. Mas tinha que cumprir um papel, e um papel já estreado, afinal se passaram um ano e meio desde o dia em que lhe disse sim, fazendo surgir toda aquela necessidade, toda aquela urgência. Assim meio suja, meio satisfeita. No meio de tudo, no meio de todas. Tinha medo dos nomes, eram tantos os nomes, algum podia não ser o meu. Canalha, tinha pânico de numa dessas, meu nome trocado e o tesão mutilado. Já pensara nisso de outras vezes, mas desta tinha um pavor de realidade, sabia das várias outras. Desejava o silêncio dos nomes e os barulhos da nossa pornografia. Anda me coma antes que eu lhe engula. Fala besteiras pra eu fazer com seu pau que por vezes me machuca o ventre. Talvez fosse de raiva, talvez de desespero. Quanta experiência! Aprendeste mais com as tantas outras que vens catalogando? E as outras todas a me atormentar o sexo sacana de pudica.
Pensava que depois iria ser paga, ele me deveria pagar. Mas quanto? Quanto eu valia? Naquele momento creio que muito pouco. Gueixa de quinta.  Sentia-me apenas mais uma, nada de especial. Mas eu era especial! Eu tinha de ser especial. Ele era. Ele príncipe às avessas do meu conto de fadas forjado pela contadora de causos, sempre a aumentar um ponto para acreditar. Historiadora de merda, sem fatos plausíveis, sem documentos, sem verdades. Apenas com um chegue para pagar no final. Meu gigolô barato. Tinha que acabar logo. Por alguns momentos eu já exaurida banhada em suor lhe ouvia dizer que queria mais, que ainda não era a hora de acabar. Faminto. Atleta do sexo. Mas só pelo prazer de mais uma comida. E eu já saciada de uma realidade que não era o que queria. Mas era preciso ainda continuar. Havia uma coisa pela qual eu esperei. Era preciso continuar tentando. Havia uma coisa pela qual eu esperava. Era necessário continuar tentando. Exaustos os dois. Por fim, pedi que ainda permanecesse. Um resto de romantismo, de carinho, de esperança, de desejo de morte. Queria sentir seu peso a me esmagar. Queria ser esmagada. Sai rápida, viva, para preparar seu banho. Maquiando uma realidade pela terceira ou quarta vez, já nem sei mais, me perdi na contagem das mentiras. Já nem eu mais era convencida. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sem título... em 2003!

Essa coisa que me incomoda, que me dói o peito, que me arrebenta, tira meu apetite, me arregaça o ventre, estupra a alma, que nem dor de porrada – bem dada! – essa coisa tem nome, endereço, identidade, impressão digital – que ta no corpo todo! – essa coisa tem CPF, registro, essa coisa vota, tem cheiro, cor, suor;
Essa coisa que me tira o sono, que me bota na cama, que me molha a calcinha e me vira do avesso, que me pede pra ficar de quatro  – e eu faço! – essa coisa que me faz prostituta feliz quando se perde boca e nariz no meio do meu centro adentro e me fala pornografias com sua língua dilatada e quente aos meus todos ouvidos. AH! Essa coisa tem corpo que pesa e esmaga e quase mata depois do gozo, e eu embaixo gostando – delicia! – porque permanece lá dentro, pulsando no meu segredo, na minha boca que se cala farta, saciada, inundada de tudo o que vem dessa coisa... Que tem nome – o nome dele! 


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Homenagem

Tenho sonhos perturbadores e idéias mirabolantes.
Um ritmo tão cruelmente lento que me tira do sério.
... Essa mão dentro da minha calcinha...
Essa punheta particular.
Pra ter você me vendo te ver me olhando.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Verão...

Como faz calor aqui...!
...muito mesmo...
Nem sonho refresca...
Na vedade se sonho piora bastante!



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tudo junto e misturado

Tudo parece muito interessante.
Tudo é muito e tem pra todos o tempo todo.
São mãos que se perdem em corpos que se procuram.
Peitos, bundas, pernas, braços e línguas...
Uma massa desfigurada querendo se configurar.
Respirações e gemidos de tons variados numa sinfonia desafinada que busca somente a nota final.
Nada mais pertence a ninguém e você não tem mais coordenação do que é seu.
Uma visão que turva a vista.
Um amontoado de possibilidades possíveis de nunca mais ter fim.
...
Mas o que acontece no final é o silêncio.
Um desconhecer o conhecido de poucos minutos atrás.
Um vazio com cheiro forte, cor marcante, textura viscosa por todos os lados.
Um peso.
Uma solidão sem fim...
E é hora de retomar o que é seu e de mais ninguém no meio de tudo aquilo.
Hora de se fazer singular depois do plural, da massa, do coletivo.
Levar o que for seu e fazer as contas.
Ir pra casa e dormir com todos e todas guardados na cabeça.
Mas, Psiu!!!
Não vamos nunca falar nisso...

Dias de verão


Escuta!
Para e olha!
Durante as noites de verão eu, quase nua, andando pela casa, era socorrida por cubos de gelo que derretiam. A porta da geladeira aberta, escancarada tentando... Tentando... Resfriar o corpo quente, em febre. As madrugadas eram longas e a cama tão grande. Não haviam ventiladores no quarto, nem ventos nas ruas vazias. Eu enlouquecendo, contorcendo, sendo, na cama, a cama. Deixando minhas próprias mãos escorrerem, percorrerem pelo corpo pulsante. Minha boca seca a espera de sua saliva. A língua exposta a espera do seu gosto viscoso saboroso pra me acalmar os desejos. 
Meus  órgãos todos a procura de salvação.
AH! Eles gritavam, urravam.
Minhas-tuas mãos por debaixo da camisola, calcinha a dentro, avante, sem medo. Os dedos tremulos queimados pelo calor do centro de meu desespero em brasa por sua calma. 
A respiração falhando e eu morrendo um pouco.
Era a ti que chamava.
Era de ti que precisava.
Era por ti que chorava.
Por entre as pernas, abertas, eu queria engolir. Queria te matar. Morrendo em mim. Dentro de mim. Odiando a tua surdez. Impertinente. Ignorante.
Eu gritando; silenciosamente urrando.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sob a saia


Psiu!
Vem morar debaixo da minha saia?
Vem ficar aqui por horas...
Tirar com os dentes minha calcinha.
Devagar, bem sacana.
De vez em quando ter os incisivos passando, raspando minha pele branca, quente, arrepiada.
Esperando como louca a dentada!
E então ela se apresenta: molhada da boca sedenta, quente, grande, com texturas inacreditáveis.
Vem lamber como se fosse brincadeira, abrir espaço, provocar vertigens luminosas, criar necessidades assustadoras.
Vem com ela aos poucos e me tortura a carne rosa, as partes da coxa que ninguém vê, os meus lábios molhados, loucos por sua língua.
Vem criar gemidos, espasmos, barulhos – me morde!
Vem com a sua boca quente me arrombar, me açoitar, me comer!
Me vira do avesso, me coloca de quatro, de frente, de lado.
Me rasga com os dentes, me queima com o vapor que saí da boca sua... E me bebe!
Se lambuza com o meu líquido, se embriaga.
Me aperta na parede, me joga na cama, no chão...
Me come!
Puxa os cabelos, arranha com a unha, aperta com as mãos, enfia o dedo, a língua, o pau.
Quero te dar o peito pra mamar, chupar, morder, esmagar.
Me xinga, me bate, faz o que quiser, eu deixo!
Eu gosto, eu posso!
Vem morar debaixo da minha saia!
Quero te esconder aqui em lugares públicos, em escuros visíveis, em cantos escancarados.
Quero tornar público, sabido, invejado.
Pra ser sua!
... Sua e dela.