Queria lhe fazer um pedido, será que posso?
Olha, meu amor, está aqui meu corpo, está aqui todo ele.
Entrego-lhe de forma despudorada, inteiro.
É seu.
Toma-o. Por favor, toma-o!
Beba-o como bebem os bêbados sedentos pelo álcool.
Receba-o como a um copo de água em dia quente de verão intenso.
Olha-o como uma criança e leve-o para brincar.
Brinque com o que é seu.
Descubra os cheiros, os gostos, sabores como se faz com uma taça de bom vinho.
Deguste, aprecie, se lambuze como se faz com o chocolate.
Vire, revire, coloque-o onde bem lhe convier.
Coloque-se sobre, sob, dentro.
É seu.
Toma-o, por favor!
Use-o de todas as formas possíveis de se usar, faça de todas as formas possíveis de se fazer, tome-o de todas as formas possíveis de se beber.
Por favor, é seu.
Toma-o!
E depois o deixe, exausto, pousar sobre o leito de lençóis, suor e molas.
Deixe-o repousar, dormir, morrer...
"... me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço..." CFA.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Dias de verão
Escuta!
Para e olha!
Durante as noites de verão eu, quase nua, andando pela casa, era socorrida por cubos de gelo que derretiam. A porta da geladeira aberta, escancarada tentando... Tentando... Resfriar o corpo quente, em febre. As madrugadas eram longas e a cama tão grande. Não haviam ventiladores no quarto, nem ventos nas ruas vazias. Eu enlouquecendo, contorcendo, sendo, na cama, a cama. Deixando minhas próprias mãos escorrerem, percorrerem pelo corpo pulsante. Minha boca seca a espera de sua saliva. A língua exposta a espera do seu gosto viscoso saboroso pra me acalmar os desejos.
Meus órgãos todos a procura de salvação.
AH! Eles gritavam, urravam.
Minhas-tuas mãos por debaixo da camisola, calcinha a dentro, avante, sem medo. Os dedos tremulos queimados pelo calor do centro de meu desespero em brasa por sua calma.
A respiração falhando e eu morrendo um pouco.
Era a ti que chamava.
Era de ti que precisava.
Era por ti que chorava.
Por entre as pernas, abertas, eu queria engolir. Queria te matar. Morrendo em mim. Dentro de mim. Odiando a tua surdez. Impertinente. Ignorante.
Eu gritando; silenciosamente urrando.
domingo, 14 de junho de 2009
Adeliando

Ás vezes me vem uma vontade de chorar. Uma tristeza mesmo. Minha garganta fecha, minha voz fica fininha quase sumindo. Meus olhos embaçam de não ver mais nada na frente ou no lado. Aí, me vem uma coisinha aguda no peito... Dessas coisinhas que parecem agulha espetando o dedo indicador. Faz sair gotinha de sangue. Dessas gostosas de por na boca pra ver que gosto tem. Dizem que saliva faz cicatrizar mais rápido. Acredito. Quando a dor no peito vem, dano a engolir saliva pra vê se melhora. Por conta disso quase morri afogada três vezes.
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