Escuta!
Para e olha!
Durante as noites de verão eu, quase nua, andando pela casa, era socorrida por cubos de gelo que derretiam. A porta da geladeira aberta, escancarada tentando... Tentando... Resfriar o corpo quente, em febre. As madrugadas eram longas e a cama tão grande. Não haviam ventiladores no quarto, nem ventos nas ruas vazias. Eu enlouquecendo, contorcendo, sendo, na cama, a cama. Deixando minhas próprias mãos escorrerem, percorrerem pelo corpo pulsante. Minha boca seca a espera de sua saliva. A língua exposta a espera do seu gosto viscoso saboroso pra me acalmar os desejos.
Meus órgãos todos a procura de salvação.
AH! Eles gritavam, urravam.
Minhas-tuas mãos por debaixo da camisola, calcinha a dentro, avante, sem medo. Os dedos tremulos queimados pelo calor do centro de meu desespero em brasa por sua calma.
A respiração falhando e eu morrendo um pouco.
Era a ti que chamava.
Era de ti que precisava.
Era por ti que chorava.
Por entre as pernas, abertas, eu queria engolir. Queria te matar. Morrendo em mim. Dentro de mim. Odiando a tua surdez. Impertinente. Ignorante.
Eu gritando; silenciosamente urrando.

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