Silêncio...
Aquilo que me sustentava estava aqui há pouco.
Eu sei. Estava aqui para me manter de pé, eu a rocha.
Mas já não está. Se foi e, no entanto permaneço...
Não foi preciso. Então, não era preciso.
Mas era meu ponto de equilíbrio, minha segurança, minha prisão consentida, limitada.
Limitando-me, tornando estável, sólida.
Estava aqui há pouco.
Mas... E agora?
Se tivesse força, romperia com as mãos.
Permaneceria livre.
Tenho medo!
Medo do que posso ver, do que está do outro lado.
É necessário falar baixo para que eles não saibam do que sei. Eu sei... Sei de tudo.
Senhor! Tira-me do peito isso que arde, me tira essa visão colada da retina, me põe de volta, me toma a fala, me põe louca.
Salva na insanidade.
Segura na mão de uma criança; dá-me a mão da criança, mãos infantis de salvação.
Mas é inevitável... Chega a hora...
Por mais que eu queira o tempo estrangular, por meus dedos ele escorre.
Mas o que dizer, nada sei. É inevitável.
Tenho que dizer é tempo de falar, gritar...
Escutem... Escutem...
A criança que tenho nos braços me rouba o seio esquerdo para se alimentar e no direito dorme tranquila...
Busca gotas d’água para me matar a sede e me trazer vida.
A criança que tenho nos braços sou eu menina.
Para a atriz Fernanda Kahal... de quem tenho saudades de ver!


