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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Texto para Odete - Em 14/10/2002

Silêncio...
Aquilo que me sustentava estava aqui há pouco. 
Eu sei. Estava aqui para me manter de pé, eu a rocha.
Mas já não está. Se foi e, no entanto permaneço... 
Não foi preciso. Então, não era preciso.
Mas era meu ponto de equilíbrio, minha segurança, minha prisão consentida, limitada. 
Limitando-me, tornando estável, sólida.
Estava aqui há pouco. 
Mas... E agora?
Se tivesse força, romperia com as mãos. 
Permaneceria livre.
Tenho medo!
Medo do que posso ver, do que está do outro lado.

É necessário falar baixo para que eles não saibam do que sei. Eu sei... Sei de tudo. 
Senhor! Tira-me do peito isso que arde, me tira essa visão colada da retina, me põe de volta, me toma a fala, me põe louca. 
Salva na insanidade. 
Segura na mão de uma criança; dá-me a mão da criança, mãos infantis de salvação.
Mas é inevitável... Chega a hora... 
Por mais que eu queira o tempo estrangular, por meus dedos ele escorre. 
Mas o que dizer, nada sei. É inevitável. 
Tenho que dizer é tempo de falar, gritar... 
Escutem... Escutem...
A criança que tenho nos braços me rouba o seio esquerdo para se alimentar e no direito dorme tranquila...
Busca gotas d’água para me matar a sede e me trazer vida. 
A criança que tenho nos braços sou eu menina.


Para a atriz Fernanda Kahal... de quem tenho saudades de ver!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Hasta siempre, Luna!




Começou no Palácio das artes - CEFAR!
Aí, em 2000 formamos com um grande sucesso: Perdoa-me por me traíres!
Em 2001 fundou-se a Cia. de Teatro Luna Lunera!
Depois muita água rolou por debaixo de nossa ponte... viagens, festivais, produções, reuniões, estreias, matérias em jornais, reuniões noite a dentro, gravações para TV, horas na sala de ensaio... meses pesquisando, trabalhando... trabalhando... Reunindo na casa de um - casa de outro, pão de queijo, sanduba do Catoons, bolo da padaria, muito pão com mortadela, refri zero, light, normal... Café, chá da Croda... Saídas pra dançar, festas de natal, aniversários na casa do Crodo, telefonemas de madrugada pra divertir, pra reclamar, pra chorar, desabafar... Conversar aqui, ali e acolá.
Vários momentos e um amor sem medidas pra dar conta de tudo isso sem desistir.
Porque tem hora que dá vontade de desistir!
Mas o tempo passou... Foram ao todo quase 13 anos...
Nossa, quanto tempo!
Minha outra família, os Lunas!
Meus irmãos, filhinhos, amores...
Meus queridos e mais que amigos, companheiros!
Tantos anos... tantas histórias...
Sei de todas e me lembro de cada uma.
Não esqueço nunca!
Não me perco nunca do que fomos e do que fui com vocês.
Mas como tudo nessa vida uma hora os caminhos se mostram diferentes...
As necessidades já não são mais as mesmas...
E nessa hora é preciso saber a hora de sair.
Hora de deixar a casa e seguir o nosso caminho.
Assim como o pássaro que já sabe voar, se lançar no espaço!
Tentar caminhar pelas pernas, penas, asas...
Mas sabendo que o amor, ahhhh... o amor permanece!
Sempre grande e generoso!
Atento, disposto ao aplauso.
E eu aplaudo!
Bravo Luna!!!
Avante Luna Lunera, Luna enamorada, amante, luna de sonhar!
De sonhar longe e conseguir subir ao alto!
Amo vocês.
SEMPRE!