segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Você tem medo de quê?

Medo de escuro,
Bicho papão,
Boi da cara preta?
Medo de sol,
câncer de pele,
queimadura?
Medo de gente,
fantasma,
da morte?
Medo de prova de matemática,
inglês,
biologia?

Você tem medo de ir embora,
de sair,
de deixar pra trás?
Medo de arrumar a casa,
tirar o pó,
lavar a roupa suja?
Medo de tirar máscara,
limpar o rosto,
ficar de cara limpa?
Medo de espelho,
ver o tempo,
olhar as marcas?
Medo de cair em si,
reconhecer erros,
pedir desculpas?
Medo de chorar,
sofrer,
pedir ajuda?
Medo de amar,
de não ser amado,
de se deixar levar, de ser deixado?

Você tem medo de ser trocado,
de se magoar,
de doer?
Medo de cair do salto,
de se enganar,
de perder?
Medo da mentira do outro,
da sua mentira ser descoberta,
de que seja verdade?

Você tem medo de quê?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Diagonal


Ela é grande e precisa dormir na diagonal.
Mesmo a cama sendo de casal, grande, ela sempre vai pra diagonal.
Eu rio e deixo.
Me encaixo... Ela gosta, ri também.
Rimos!
Sou pequetita e caibo.
Eu caibo sempre no espaço que é nosso.
E durmo bem.
Ali aconchegada no quentinho que é ela.
Demoramos horas nesse aconchegar...
Sempre rimos muito até acalmar o corpo.
Há tempos não tenho insônia.
Só nas noites quentes!

For Your love

All the gold in all the world
Is nothing to possess
If all the things that it can bring
Can't add up to one ounce of
your happiness

And for your love
I would do anything
Just to see the smile upon your face
For you love
I would go anywhere
Just you tell me and I'll be
right there

A diamond that shines
Like a star in the sky
Is nothing yo behold
For minuscule is any light
If it can't like brighten
up my soul

And for your love
I would do anything
Just to see the smile upon your face
For you love
I would go anywhere
Just you tell me and I'll be
right there

I could have never fathomed this
Such joy, love and tenderness
That you give to me
For the love I feel inside
It's so wonderful I can't hide
And I glow, I glow
With just the thought of you
I do, I do, I do, I do, I do, I do

And for your love
I would do anything
Just to see the smile upon your face
For you love
I would go anywhere
Just you tell me and I'll be
right there...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

EM ESTADO DE ESPERA.

Porque era urgente, nada em mim tinha mais vontades.
As horas intermináveis se prolongavam e meu único desejo era encontrá-la.
Meu calvário: a espera infinita por seu beijo, sua pele, seu cheiro.
Sentia minha estrutura endurecer na ansiedade de vê-la.
Mas ainda não era tempo...

(... em setembro de 2008)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Caio... Para uma amiga

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.


(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

sábado, 15 de agosto de 2009

Uma aprendizagem...

"De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê?
Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulissses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre.
A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser Humano."
Clarice...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Silêncio...

Certas perguntas não tem resposta.
Algumas imagens não tem descrição.
Tem sentimentos que não se repetem.
E pessoas que nunca se esquece...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pedras nos rins

... às duas da manhã acordei com uma dor inacreditável!
Eu virei e nada, esquentei e nada.
P.Q.P! Doía muito, demais da conta... Nussa!

Pronto socorro do Life center das 3 às 6 da manhã...
Resultado: Cálculo renal.
... logo eu que sempre fui péssima em matemática!



AVISO AOS RINS:
Por essas e outras a D. Visícula foi tirada desse corpinho aqui.
Vocês bobeiam pra ver só uma coisa!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Meus limites... expandidos!


Nunca fui boa em matemática, aliás sou péssima em questões numéricas.
Sempre gostei mais de literatura, história, biologia...
Era muito boa em biologia - Queria ter feito medicina!

Bom, não vou mentir dizendo que sempre gostei de português até porque tive muitos problemas pra aprender a escrever no meu tempo de alfabetização, mas sempre gostei das palavras. Gostava das possibilidades que elas me davam. Poder escrever coisas de formas diversas me encantava! E me encantava principalmente ver no rosto e nos olhos das pessoas as expressões que faziam ao ler algo que eu havia escrito. Era fascinante poder olhar as pessoas!
E ainda é!

Comecei a escrever desde muito cedo e desde muito cedo comecei a ter prazer escrevendo e entregando o que eu escrevia para quem quisesse ler. E também gostava de contar histórias.
AH! Eu pegava um livro, abria e lá ia eu contar histórias. Acontece é que eu não contava o que estava escrito - Pra que se já estava lá? Mais interessante era começar com o que lá estava e seguir minha linha de palavras nascidas, fresquinhas, da cabeça inquieta de menina.

Mas, como nada no mundo é perfeito, eu desenvolvi verdadeiro pânico dos ditados. Acontece que gostava de escrever o que me vinha na cabeça e não o que me diziam para escrever.
Lembro de uma vez que aprontei um caso por conta de um ditado. Minha mãe foi chamada na secretaria da Vila Marista para me socorrer. Eu chorava de soluçar... E na verdade eu só queria escrever o que me vinha a mente e não o que "tia" ditava. Mas era errado! Criança tem que fazer o que adulto manda e pronto! Naquele dia eu não fiz a prova. Fiz depois e fui muito mal.
O mesmo acontecia com as tabuadas. Eu fui decorar aquela loucura na terceira série do primário! Por que os meus números não podiam resultar no que eu imaginava? Por que eu tinha que passar tanta vergonha se meu 9x8 não dava 72?
Enfim, eu e o mundo concreto vivíamos em pé de guerra!
Sofri muito e passei muitas vergonhas públicas que me fizeram odiar os números e as letras.
Durante uma redação livre, me lembro bem, eu comecei a escrever... e escrevi... escrevi... escrevi... as imagens brotavam como água na minha cabeça e eu as derramava no papel feliz por poder regar ideias ali na folha branca. E depois de três folhas completamente escritas pedi a quarta à professora. Ela, ignorante, se recusou a me dar dizendo que aquilo não era brincadeira!
Brincadeira!? Quem estava brincando? E bruta tomou minhas páginas escritas, inacabada história... Dias depois me entregou toda rabiscada de vermelho... correções ortográficas!
Chorei mais uma vez... E a minha história? Você leu a minha história? E minhas imagens que brotavam como água, você as viu? Nada... terreno infértil...
Depois dessa tiveram outras... e outras... Muitas vezes colocada em destaque pelos erros, pelos tropeços... Foi quando decidi abandonar as letras e números.
Tomei duas bombas e terminei meus dias escolares no supletivo!

E me dediquei com afinco às artes!
Aprontava tanto, mas tanto que tudo o que minha mãe teve de paz com meus dois irmãos... ela teve de inferno comigo. Tantas vezes chamada às salas de direção do Colégio Marista Dom Silvério... Tantas vezes... Peripécias de uma cabeça água sem lugar para desaguar!
Um pouco na dança... um pouco no teatro... lugares que escolhi para transbordar.
E transbordava!!!
Mas nada mais da folha branca... a linda folha branca... como eu namorava aquele retângulo maravilhoso... AH... Eu queria escrever!

Então, clandestinamente comecei a fazer... Por pedaços de cadernos, em cantos de salas, no quentinho do meu quarto. Sem ninguém saber. Sem ninguém corrigir. Só pra minha realização. Só para que eu não me afogasse em meio às imagens-águas que prontavam...

Agora começo a sair do quarto, do canto, da clandestinidade.
Sei que sou disléxica... descobri tardiamente.
Impressionante que ninguém percebeu nos meus tempos de primeiras letras...
É que eu tinha muita criatividade, criança agitada e com certeza isso era o que me dispersava... Diziam todos os sábios adultos de forma repressora!

Ainda tenho um pouco de medo em escrever, confesso, não por medo de errar - errar é humano! e tem como corrigir - meu medo é do alcance das minhas palavras e de como elas serão interpretadas!
Medo dos meus limites e dos limites dos outros que me lêem quando esses se encontram!

... por Luiza de Sá.


Freud explica. Tem que explicar. Afinal de contas ela é filha de psicanalistas e faz psicanálise desde a adolescência. Adolescência... na tríade dantesca, a adolescência ocupou na vida de Ana Flávia Rennó o lugar do inferno. Quem vê hoje essa mulher-camaleão loirinha/ruivinha/moreninha bela e radiante nos outdoors da cidade, jamais imaginaria pelo que ela passou nessa fase dos 12 aos 18. Fase conturbada, conflituosa, indigesta. Experimentações. Todas elas. Lingüísticas, viscerais, teatrais, sentimentais e sexuais (essa última, só depois dos 18, mas já tinha gosto, cheiro e cor antes disso).

Pelo que me disse, Fafá passou por pelo menos trinta tipos de dietas diferentes. Isso somado aos hormônios que fizeram crescer-lhe os peitos rapidamente (o direito antes do esquerdo) e transformaram a bela “miss olhar Iriri 89” em uma bomba sempre prestes a explodir. Ela, de fato, foi explodindo aos poucos. Espinhas. Espinhas e libido. Espinhas, libido e baixa-estima. Os dentes não eram perfeitos, o corpo estava estranho e a cabeça cheia de receitas light, vigilantes do peso, dieta da melancia, dieta do carboidrato, dieta do suco, dieta...

Que efeito sanfona desgraçado. Engorda, emagrece, engorda, emagrece. Desejos internos e externos, paixões platônicas, pequenas perversidades, fingir que. Nesse turbilhão emocional/histérico/sentimental, a atriz crescia e desenvolvia sua percepção mundana peculiarmente. Ela percebeu que poderia ser muitas e muitos, vários e alguns sendo uma só. Uma infinidade de possibilidades de fingir ser outra que não ela mesma. Fugir? Será?

Talvez ela corria de um incômodo em direção a outro maior. Se descobrir é doloroso. “Toda nudez será castigada”. É diferente, por que nas veias dela parece que corre outra coisa sem ser sangue. Verbos e palavras. Ela escrevia. Escrevia e aí escoava. Ela criava um universo pra ela, um canto quentinho, seguro, um lugar de faz-de-conta. Aí fez sentido a arte, o teatro. “Temos a arte para que a verdade não nos destrua”. Nietzsche, um dos que ela gosta. Caio de Abreu, Hilst, Lispector, Shakespeare, Wilde, Goethe… E do cinema também, tanto. Sempre muito. Com a Ana é sempre intenso, profundo, ardendo na carne lá dentro; queimando o coração e dando dor de estômago de inquietação. Foi nessa fase que ela descobriu (com a ajuda do psicanalista e dos pais) que somatização era realmente coisa da sua cabeça. Alergia. Vinha Platão e o inconsciente descontava em manchas na pele, coceiras, perebas, garganta inflamada e o diabo.

Quem a conhece assim sempre tão viva, tão radiante, com a língua tão ferina, bem do tipo que gosta de ver o circo pegando fogo, jamais imaginaria que ela é tão frágil como a rosa de tinta que carrega nas costas. Mas oscila. Perigosa, vacilante, enigmática. Feminina e masculina. Porção bem cada qual. Dosada e distribuída a seu bel prazer. Madura e boba. Uma palhaça.

Margarida! “Peguei no pinto!” Seu clown. Linda... O rosto bem branco de pó faz pular os olhos verdes e o nariz vermelho. Coturnos. Talvez até um combate explícito entre o ID e o Super ego, assim, pra gente ver de primeira fila. E sexual, sempre, muito...

Faz pouco tempo que a vi se estremecer por alguém. Foi tão engraçado que não me contive. Ria de seu desespero por não conseguir tocar aquele ser tão magnífico que mexeu tanto com ela. Tentei ajudar, mas nem foi tão bom assim. Mas foram boas risadas. “Luiza pelamordedeus me ajuda! Quê que eu faço?” Era tanto desejo que ela arrepiava. E eu me divertia, e a gente ria...