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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Palavras mágicas

Por favor.
Obrigado(a).
Com licença.
Desculpa.
Eu te amo!

Eu também...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Caio... Para uma amiga

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.


(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

... por Luiza de Sá.


Freud explica. Tem que explicar. Afinal de contas ela é filha de psicanalistas e faz psicanálise desde a adolescência. Adolescência... na tríade dantesca, a adolescência ocupou na vida de Ana Flávia Rennó o lugar do inferno. Quem vê hoje essa mulher-camaleão loirinha/ruivinha/moreninha bela e radiante nos outdoors da cidade, jamais imaginaria pelo que ela passou nessa fase dos 12 aos 18. Fase conturbada, conflituosa, indigesta. Experimentações. Todas elas. Lingüísticas, viscerais, teatrais, sentimentais e sexuais (essa última, só depois dos 18, mas já tinha gosto, cheiro e cor antes disso).

Pelo que me disse, Fafá passou por pelo menos trinta tipos de dietas diferentes. Isso somado aos hormônios que fizeram crescer-lhe os peitos rapidamente (o direito antes do esquerdo) e transformaram a bela “miss olhar Iriri 89” em uma bomba sempre prestes a explodir. Ela, de fato, foi explodindo aos poucos. Espinhas. Espinhas e libido. Espinhas, libido e baixa-estima. Os dentes não eram perfeitos, o corpo estava estranho e a cabeça cheia de receitas light, vigilantes do peso, dieta da melancia, dieta do carboidrato, dieta do suco, dieta...

Que efeito sanfona desgraçado. Engorda, emagrece, engorda, emagrece. Desejos internos e externos, paixões platônicas, pequenas perversidades, fingir que. Nesse turbilhão emocional/histérico/sentimental, a atriz crescia e desenvolvia sua percepção mundana peculiarmente. Ela percebeu que poderia ser muitas e muitos, vários e alguns sendo uma só. Uma infinidade de possibilidades de fingir ser outra que não ela mesma. Fugir? Será?

Talvez ela corria de um incômodo em direção a outro maior. Se descobrir é doloroso. “Toda nudez será castigada”. É diferente, por que nas veias dela parece que corre outra coisa sem ser sangue. Verbos e palavras. Ela escrevia. Escrevia e aí escoava. Ela criava um universo pra ela, um canto quentinho, seguro, um lugar de faz-de-conta. Aí fez sentido a arte, o teatro. “Temos a arte para que a verdade não nos destrua”. Nietzsche, um dos que ela gosta. Caio de Abreu, Hilst, Lispector, Shakespeare, Wilde, Goethe… E do cinema também, tanto. Sempre muito. Com a Ana é sempre intenso, profundo, ardendo na carne lá dentro; queimando o coração e dando dor de estômago de inquietação. Foi nessa fase que ela descobriu (com a ajuda do psicanalista e dos pais) que somatização era realmente coisa da sua cabeça. Alergia. Vinha Platão e o inconsciente descontava em manchas na pele, coceiras, perebas, garganta inflamada e o diabo.

Quem a conhece assim sempre tão viva, tão radiante, com a língua tão ferina, bem do tipo que gosta de ver o circo pegando fogo, jamais imaginaria que ela é tão frágil como a rosa de tinta que carrega nas costas. Mas oscila. Perigosa, vacilante, enigmática. Feminina e masculina. Porção bem cada qual. Dosada e distribuída a seu bel prazer. Madura e boba. Uma palhaça.

Margarida! “Peguei no pinto!” Seu clown. Linda... O rosto bem branco de pó faz pular os olhos verdes e o nariz vermelho. Coturnos. Talvez até um combate explícito entre o ID e o Super ego, assim, pra gente ver de primeira fila. E sexual, sempre, muito...

Faz pouco tempo que a vi se estremecer por alguém. Foi tão engraçado que não me contive. Ria de seu desespero por não conseguir tocar aquele ser tão magnífico que mexeu tanto com ela. Tentei ajudar, mas nem foi tão bom assim. Mas foram boas risadas. “Luiza pelamordedeus me ajuda! Quê que eu faço?” Era tanto desejo que ela arrepiava. E eu me divertia, e a gente ria...

domingo, 12 de julho de 2009

3 + 1 nem sempre é 4...

Hoje dia 12 de Julho... acordei e passei dos trinta!

Aí comecei a pensar nas 3 coisas que não tem volta:
A flecha lançada.
A palavra pronunciada.
A oportunidade perdida...

E depois pensei que tem mais coisas... mas 1 em escrevo aqui:
A casa dos vinte depois dos trinta... isso não volta!!!

Ainda bem!!!
Amo meus 31.


PS: Fim do inferno astral!!! UFA!!!