"... me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço..." CFA.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Escuta.
Eu não sou como essas pessoas que você conhece.
Eu não vou fazer com você o que já fizeram com a gente.
Nem me passa pela cabeça tal coisa.
Nem passa pelo meu querer tal desejo.
O que tenho dou valor.
Não preciso perder para me dar conta do quanto me era importante o que tinha.
Não, meu amor, eu não sou dessas.
Não sou assim e nunca fui.
Muito se engana você se cre em tal coisa.
Acredito em confiança, caminhar junto, construir um tempo com amor, desejo e respeito.
Acredito de verdade!
Então, acredite também...
Por que o seu não acreditar diminui o meu querer, não vê!?
Muito ruim isso de ter que provar a todo instante, a toda hora...
Desconfiança só serve pra por distância no meio.
Cara fechada só me tira do seu lado no nosso caminho.
Olha pra mim, olha de verdade.
Não precisa mais que isso pra me ler, você bem sabe!
Então, deixa isso de lado...
Vem viver tudo isso junto, porque eu quero um tempo longo ao seu lado!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Uma de amor
com fogo nas patas,
correndo em direção ao mar!
OH, vida, farpa de madeira intensa!
Eu queria a natureza mais doce, mas a
Natureza não é doce.Os frutos é que são!”
Grace Passô
É preciso que eu comece devagar, de forma lenta e gradual. Já faz algum tempo que não me sento aqui, pelo menos não com este objetivo: o de escrever sobre algo ou alguém... Houve um tempo em que estar aqui era uma ação cotidiana, corriqueira, era um prazer quase orgástico poder colocar palavras no papel branco, ia transformando tudo em cenas, em ações, em luz e palavras. Mas alguma coisa aconteceu no meio do meu caminho, se perdeu e, aos poucos fui, como gosto de dizer, me tornando pedra. Poucas vezes na vida me vi pedra. É muito doloroso ser pedra. Assim como é deixar de ser.
“De vez
Olho pedra, vejo pedra mesmo.
O mundo, cheio de departamentos,não é a bola bonita caminhando
solta no espaço..”
Adélia.
Queria aqui fazer uma carta que fosse algo inédito, impensado, extraordinário. Mas na verdade o que vai acontecer aqui é apenas uma repetição quase enfadonha do que todos nós já sabemos. Hoje eu estou fazendo judô. Por que achei que precisava. Fazer uma luta. Dar umas porradas. Na verdade o que acontece é que eu estou apanhando... Muito. Mas isso é bom, porque não é o que eu achei que ia ser. Eu estou naquela fase de “aprender a cair”. O que é bom? A filosofia é boa. Estou aprendendo a me levantar. A suportar as porradas, os golpes, os abacates na minha cabeça, os socos no peito, as despedidas, as perdas. Mas ainda choro muito por tudo isso, diante de tudo isso. É, não sou assim tão forte, mas tenho me habituado a levar porradas. E isso não quer dize que elas não doam. Cada dia mais elas doem mais. O que acontece é que gente é um bicho muito engraçado, tem sempre a possibilidade de correr. Mas eu escolhi esperar a porrada vir. Ela sempre vem mesmo. E correr de porrada pode cansar mais do que levar porrada e cair. Até porque o que realmente dói é levantar.
Uma vez eu escrevi um texto que falava de uma moça que ia dar a primeira cambalhota da sua vida. Ela dizia assim: “Sabe que a coisa é mais complicada do que parece, exige muito do ser humano dar a sua primeira cambalhota. É um compromisso muito sério com sua mente e corpo. Bom, teoricamente a cambalhota pode ser explicada da seguinte forma: você se agacha, encosta o queixo no peito, impulsiona com os pés levando o corpo para frente e... Deixa rolar. Pronto você deu uma cambalhota. Contudo, se isto não for feito com uma precisão absurda seu trajeto poderá ser desastroso, levando-o a ter uma dor nas costas, cabeça, sem falar a vergonha que terá passado por ter dado ao mundo a pior cambalhota de sua vida. Assunto sério esse de cambalhota. Você não acha?”
Um dia uma moça veio e me perguntou “Por que eu faço teatro?”, neste dia eu parei. Neste dia eu comecei a virar pedra. Eu estava vazia de sentido. Então, fui colocando em ações desordenadas e frenéticas, pequenas células do meu universo que desmoronava. Ainda bem que o amor existe! Tem certas coisas que acredito mais do que na minha própria existência. Amor é uma ação, pensei outro dia, amar. Sua existência causa uma ação
Hoje eu estou fazendo judô. Por que achei que precisava. Na verdade o que acontece é que eu estou apanhando... Muito. Mas isso é bom. É ação. Como cair e levantar; como amar. Até por que acho que quase tudo que faço é ação, agir ou sofrer ação.
O que eu estou fazendo aqui agora sentada na frente deste computador escrevendo? Tentando deixar de ser pedra. Tendo fé, correndo, batendo, levando porrada, latindo, batendo palmas, deixando o fogo nas minhas patas me levar até o meu jardim. Querendo ser farpa de madeira intensa para achar uma vez ao menos a resposta que me falta. E neste ato principal desta carta de amor que me presto a escrever só espero sofrer ação justa, de igual força e direção. Porque sua ação me acalma.
“Cuidado com o que planta no mundo!
O que planta no mundo!
Cuidado com o que toca;
Com a capacidade que gente tem de se envolver com as coisas.
Não adianta fingir que não sente.
Gente sente tudo!
Se envolve com tudo! Tudo!”
Grace Passô
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O Elefante e o Crital

Imagine que você é um elefante. Desses grandes, gordos, desajeitados que até hoje só fez jogar as coisas pro lado de fora da bacia, do tonel de comida, da sua vida.
Agora imagine que você encontra um lindo cristal que apesar das pequenas ranhuras que possui devido ao tempo de vida não possui mais nenhum defeito.
Imagine que você, elefante que é tenta segurá-lo e viver ao lado dele porque se apaixonou por sua beleza, sua luz, sua transparência, sua possibilidade de vida. E a partir daquele instante algo também se modificou na sua vida, fez sentido, se completou de forma única.
Então, o que faria o Elefante com o Cristal?
Bom, no caso desse elefante aqui posso dizer que tenho tropeçado na pedras que aparecem... Ele, o cristal, ainda não se quebrou, mas sei de que poderá se partir um dia se o elefante continuar a não olhar por onde anda e que caminho escolhe fazer.
E o triste disso tudo é que com medo de que se quebre eu vá perdendo o cristal em pequenas quedas tentando provar a todo custo que nem tão perfeito assim ele é.
Sendo que o grande paspalho, palhaço e bufão sou eu, o elefante!
E sendo assim quem no fim de tudo irá se partir?