segunda-feira, 15 de junho de 2009

Febril


Psiu! Será que posso lhe dizer certas coisas? Dessas coisas que se falam às pessoas sem pudor. Assuntos impróprios para os menores... De espírito e de imaginação, é claro! Deixa que eu me aproxime de seu rosto para poder encostar o meu febril... De espírito e de imaginação, é claro!

Deixe que seus olhos se fechem. Não é preciso ver o tempo todo. É preciso tocar, lamber, ouvir, degustar, cheirar... É preciso ser meio animal, puro instinto. Deixa-me dizer pornografias ao pé do ouvido, deixa! Deixa eu lhe dizer de segredos pecaminosos tendo a orelha como única cúmplice. Meus “segredos de liquidificador!”, como disse Cazuza. Batendo as palavras pra derramar vitamina na sua cabeça. Deitar minhas mãos sobre seu cabelo, escorrerem pela nuca, quente e sensível ponte. Minhas mãos mapeando o corpo seu. Pelo peito derramadas como água em chão seco. Sugadas pela sede do corpo. Seus braços em minhas mãos perdidas de vontade. As mãos e as mãos... Deixa-me matar a fome? Vem, molha a minha boca! Engole a boca! Mata-me a fome de você, mesmo assim, mesmo de longe... Lá do interior dos telefones, das pornografias. Hoje quero ser sacana. E quero mais é permanecer assim... Quero aquilo do seu corpo que peguei pra ser meu. Aquela parte onde o quadril se faz lindo. Quero a eternidade. Quero a insanidade. A proximidade da intimidade. Vem que de tão febril já não conheço mais a realidade dos dias. Minha cama está constantemente desarrumada, encharcada. Vem me acalmar as noites. Minha cabeça dói. Meu corpo sente a falta sua. Volta pra me alegrar as manhãs. Ando trabalhando como uma louca pra ver se isso tudo se torna mais real. Minha cabeça dói. Estou com uma febre que não cede. Não cede a meus pedidos. Deixa-me dizer pornografias ao pé do ouvido, deixa! Batendo as palavras pra derramar vitamina na sua cabeça. Minha cabeça dói e estou com uma febre que não cede...

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